Surge Rede E Mais para operar supermercados
de bairro na Zona Sul
Presença de empresas fluminenses do setor cai 40% entre as 100
maiores do País
A concentração no setor supermercadista não está impedindo o surgimento
de novas empresas, dispostas a disputar mercado com as que exploram
o conceito de supermercado de bairro. Até o fim deste mês, o Rio ganhará
uma nova rede, operando na Zona Sul da cidade.
O E Mais, projeto antigo de João Evangelista e Armindo Malafaia dos
Anjos, dois ex-executivos de Lojas Americanas, Carrefour e ABC Supermercados,
está consumindo investimento inicial de R$ 3 milhões, com a operação
de duas lojas, em Botafogo, na Rua Bambina, e no Flamengo, na Rua Senador
Vergueiro, ambas compradas da Rede Big. Elas são consideradas estratégicas
para os planos de expansão da rede. 'Estão localizadas em áreas carentes
deste tipo de operação', afirma Malafaia.
O surgimento da E Mais ocorre no momento em que o Rio perde espaço no
cenário das grandes empresas do setor no País. A comparação entre os
rankings dos dois últimos anos da Associação Brasileira de Supermercados
(Abras) revela que a participação de supermercados fluminenses caiu
40% entre as 100 maiores empresas do setor no Brasil.
A explicação para o fenômeno pode ser verificada pelo apetite das gigantes
do segmento, que atacaram o mercado fluminense no período. De 1998 para
o ano passado, desapareceram do ranking cinco grande redes que juntas
faturavam R$ 1,6 bilhão por ano e reuniam 73 lojas. O Paes Mendonça
foi comprado pelo grupo Pão de Açúcar, o Serra e Mar, pela rede ABC,
Rainha e Dallas pelo Carrefour, e Três Poderes pela Sendas.
Na avaliação de consultores, é justamente a presença da Sendas no mercado
do Rio - quinta colocada no ranking nacional - que o torna tão concentrado.
'Entre as cinco maiores do Brasil, a Sendas é a única que mantém praticamente
95% de sua operação concentrada em um único estado', afirma Antônio
César Carvalho, consultor da Acomp Consultoria e Treinamento. Das 82
lojas do grupo, com as bandeiras Sendas, SuperEx e Bon Marché, 80 ficam
no Rio de Janeiro - as outras duas estão situadas em Minas Gerais e
São Paulo.
Os planos de expansão da rede E Mais no Rio já estão traçados. 'Nosso
objetivo é, em um período de três anos, inaugurar uma nova loja por
ano', afirma João Evangelista. A expectativa dos empresários é que no
primeiro ano de operação as duas lojas da rede possam registrar faturamento
bruto da ordem de R$ 15 milhões. Mas por que concentrar toda a operação
na Zona Sul? 'Queremos criar uma identidade com os moradores dos bairros
desta região. Isso não significa que seremos sofisticados. Teremos um
preço bom', explica João Evangelista. A estratégia é estabelecer um
mix único de produtos com o perfil Zona Sul, para ganhar escala. 'Se
formos para a Zona Norte, por exemplo, podemos perder o foco', acrescenta
o empresário.
Ao todo serão 120 empregos diretos gerados com a empreitada. A seleção
dos novos funcionários está sendo feita e deve ser concluída hoje. O
movimento de fornecedores no escritório da empresa montado em um galpão
na loja da Rua Bambina é grande durante todo o dia. A loja, que tem
1,4 mil m² de área total, sendo 900 m² de área de vendas também servirá
de depósito para as mercadorias que abastecerão além da própria loja,
a unidade do Flamengo. O supermercado oferecerá produtos em dez seções:
hortifrutigranjeiros, bebidas, padaria, salgados, sorvetes, mercearia,
carnes, perfumaria, frios e laticínios e congelados. 'Importamos dos
Estados Unidos 36 metros lineares de congelados, considerado essencial
para o padrão de loja que queremos implementar', afirma Malafaia.
Para o lançamento da rede, João Evangelista e Armindo Malafaia estão
fechando um contrato com uma agência de publicidade do Rio. Não farão
alarde, se concentrarão apenas no público potencial consumidor, residentes
nas áreas primárias de influência das lojas. No Flamengo, a curiosidade
dos moradores sobre a nova operação é grande. Uma faixa indica a abertura
no local de um supermercado de bairro. 'Vamos substituí-la por outra,
mais chamativa, para atrair ainda mais a atenção dos moradores do bairro',
afirma João Evangelista.
Antônio César Carvalho, consultor da Acomp Consultoria e Treinamento
avalia que para se manter em um mercado tão competitivo, que opera com
margens reduzidas e alto giro de estoques é fundamental manter diferenciais
como atendimento personalizado, seção de frios com cortes especiais
de carnes, laticínios com variedades de iogurte, além de uma forte seção
de importados. 'As redes de bairro que mais prosperaram, como Zona Sul
e Farinha Pura, por exemplo, cresceram, investindo nestes diferenciais.
O conceito agora é copiado até pelas gigantes do setor, como Sendas,
Carrefour e Pão de Açúcar', afirma.
'Nosso atendimento será mais do que personalizado. O objetivo é que
os gerentes de cada loja conheçam os clientes pelo nome e que estejam
freqüentemente aferindo sua satisfação. Eles serão uma espécie de Public
Relations (Relações Públicas) das lojas', diz Malafaia.