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Na contramão da taxa básica, custo de financiamentos no varejo dispara em dezembro com demanda aquecida e risco de calote
- É o grau de risco que define o aumento da taxa. Apesar de a Selic estar em queda, as instituições acreditavam que a demanda por crédito seria maior do que a realmente foi, levando-as a promover um ajuste. Segundo o BC, entretanto, a taxa de inadimplência ficou praticamente estável em dezembro. Para as empresas, permaneceu em 2% e, para pessoa física, aumentou apenas 0,1 ponto, para 6,9%. Para Antônio Cesar Carvalho de Oliveira, da Acomp Consultoria, além da inadimplência e do volume de compras, a demanda do governo por financiamento de sua dívida - através da emissão de títulos - mantém elevada a demanda por crédito, puxando as taxas. - Além disso, a associação do varejo com financeiras pode ter influenciado no resultado, já que elas possuem as maiores taxas do mercado. Mas ainda é difícil avaliar o peso desse acordo para os consumidores. Do outro lado, o presidente da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Érico Ferreira, descarta a política comercial entre lojas e financeiras como instrumento de alta nas taxas de juros. - A taxa tende a baixar nos próximos meses. O que houve foi o repasse do risco maior para os novos negócios. A escalada dos juros na aquisição de bens ocorre em paralelo com a redução das taxas em outras modalidades de crédito à pessoa física. No cheque especial, houve redução de 1,7 ponto percentual, para 147,5% ao ano. Na compra de veículos, os juros cobrados caíram 0,1 ponto percentual, para 34,8% ao ano. A taxa das operações de crédito pessoal recuou de 68,7% para 67,3%. Os empréstimos consignados - com desconto direto em folha de pagamento - tiveram um recuo menor, de 36,9% ao ano para 36,4%. Na média, a taxa cobrada para pessoa física caiu de 60,4% ao ano em novembro para 59,3% ao ano em dezembro. O Banco Central informou, ainda, que o volume total de crédito no país atingiu em dezembro o maior patamar em dez anos, de 31,3% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de todas as riquezas do país). Os recursos concedidos chegaram a R$ 606,9 bilhões, ante os R$ 499,5 bi em dezembro de 2004. Entre novembro e dezembro, o spread - diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa efetiva cobrada dos clientes - caiu de 43,2 pontos percentuais para 42,8 pontos percentuais. Com Bruno Rosa
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