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Domingo,
10 e Sugunda-Feira, 11 de Março de 2002
Jornal
do Lojista
Cuidados
ao escolher entre loja e quiosque
Custo é apenas uma das diferenças entre os dois modelos
Gisela
Alvares
Cada
vez mais fortes, os shoppings despertam a cobiça de lojistas. A
dúvida surge na hora de escolher entre lojas tradicionais e quiosques,
que proliferam em ritmo crescente. Ao contrário do que muitos pensam,
o aluguel do segundo modelo é mais caro que o da loja tradicional.
Em contrapartida, os quiosques estão livres de luvas e, em alguns
casos, das taxas de condomínio. Mas as diferenças entre
os modelos vão muito além do custo da instalação.
A opção pelos shoppings, em detrimento das lojas de rua,
demonstra, na visão do consultor de varejo e diretor da Acomp,
Antonio Cesar Oliveira, a tendência do comércio. Se o objetivo
é divulgar a marca ou expandir, os quiosques são perfeitos.
Responsável por dez shoppings no Brasil - incluindo NorteShopping,
West Shopping, Top Shoppping e Center Shopping, no Rio -, a Empresa Gerenciadora
de Empreendimentos Comerciais (Egec) tem lista de espera de 237 lojistas
interessados em quiosques.
"É o espaço certo para divulgar novos produtos e serviços,
explorar as vendas por impulso, avaliar o mercado antes de dar um passo
maior e expandir os negócios", afirma Luiz Antonio Segato,
gerente nacional de quiosques e eventos.
Nos quiosques da Egec, os contratos vão de 15 dias a seis meses,
podendo ser renovados depois deste período até, no máximo,
quatro anos. O fato de não ter luvas, o menor custo da montagem
e a necessidade de menos pessoas operando são outros atrativos.
"Os pequenos que buscam os quiosques acabam, mais tarde, transferindo-se
para lojas."
Marcia Daniotti levou a experiência como representante de vendas
para o NorteShopping e o Shopping Center Tijuca, onde montou três
quiosques da marca M. Fashion, de óculos de sol e bijouterias,
cada um com área de seis metros quadrados. "Já recuperei
o investimento inicial. O mais difícil ao entrar em um shopping
é adaptar o produto ao gosto do consumidor. Optei pelo quiosque
para que minha mercadoria fique conhecida mais rapidamente, mas tenho
projeto de partir para loja", afirma.
Carla Patrícia Soares Lopes trilhou caminho semelhante ao de Marcia,
passando de representante de vendas para dona do quiosque Fórmula
Cel, de celulares, investindo R$ 15 mil no espaço de nove metros
quadrados. Com dois quiosques, no NorteShopping e no Shopping Tijuca,
a empresária paga, em cada ponto, entre R$ 5 mil e R$ 6 mil, de
aluguel e condomínio.
Mais segurança
Satisfeita com o investimento, Carla ainda não pensa em partir
para loja. O gosto de lidar diretamente com o público e de ver
gente circulando o tempo todo pelos corredores é o que a motiva
a permanecer no quiosque. "Tenho mais segurança para trabalhar
e minha maior alegria é lidar com gente. Na loja, me sentiria mais
escondida, gosto de me expor", justifica.
Um dos shoppings mais disputados do Estado, o Rio Sul tem 430 lojas e
65 quiosques e não há espaço para novos quiosques
nem lista de espera. Já o BarraShopping, com 540 lojas, reúne
44 quiosques e ainda tem espaço para outros 70. Danilo Faria, proprietário
da Ferrino, de equipamentos para alpinismo e camping, é outro que
começou em quiosque para analisar a probabilidade de sucesso. Assinou
contrato de três meses com o Rio Sul e trouxe a marca italiana para
a cidade em 1999, renovando em seguida por mais um semestre.
- O metro quadrado, de R$ 650, em média, era alto, mas valeu a
pena porque era um mercado importante a ser conquistado. No nosso caso,
o espaço não comportava o negócio, por isso, a loja
sempre foi a meta, mas o quiosque serviu para avaliarmos a demanda. Com
uma área maior pude diversificar, incluindo produtos para atrair
o consumidor como roupas e calçados - afirma Faria, que investiu
no R$ 15 mil na montagem do quiosque, arcando com custos mensais fixos
de R$ 8 mil. Na loja, o investimento foi de R$ 280 e os custos mensais
estão na faixa dos R$ 20 mil.
José Schwartz, afirma que, devido ao caráter temporário,
o quiosque deve ser encarado como estratégia para observar a aceitação
do mercado. "Essa é a razão de ser muito mais caro
que a loja. Tive cliente que pagava no Rio Sul R$ 9 mil por mês
com quiosque. Com a loja, o valor cai pela metade. O lojista, não
deve, no entanto, ir para loja antes de o negócio estar amadurecido."
PRÓS
E CONTRAS
Quiosques
VANTAGENS
>> Dependendo do ponto escolhido, tem maior visibilidade.
Serve de laboratório para avaliar o mercado e a probabilidade de
sucesso.
>> Oferece oportunidade de experimentar produtos e adaptá-los
às necessidades do consumidor.
Não exige o pagamento de tem luvas.
Contratos curtos permitem encerrar as atividades mais rapidamente em caso
de insucesso.
>>O investimento com montagem é menor, assim como o número
de funcionários.
>> O número de funcionários.
DESVANTAGENS
>> Aluguel e condomínio mais caros.
>> Contrato curto oferece risco de ser substituído por outro.
>> Não permite comercialização de alguns produtos
que impliquem pre>> paro na hora, como frituras.
Lojas
VANTAGENS
>> Mais espaço para explorar a comercialização
dos produtos.
Mais conforto para o cliente e o lojista.
Aluguel e condomínio mais baixos.
Contratos com prazo mais longo.
DESVANTAGENS
>> Pagamento
de luvas.
Maior equipe de empregados.
Não é indicada para iniciantes ou marcas fracas.
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