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Sábado, 18
de Agosto de 2001
Jornal
do Lojista
O
cartão de visitas da loja
Montar uma boa vitrine não custa pouco, mas o retorno
é certo
José Pinheiro Júnior
Um cartão de visitas da loja, um vendedor de luxo, o grande diferencial
do comerciante instalado em um shopping center - estas são algumas das
funções que os empresários destinam às vitrines. Tradicionais ou criativas,
simples ou sofisticadas, estas estrelas do comércio merecem cuidado especial
na hora da montagem e precisam ter, além de bom gosto, inteligente escolha
de cores, iluminação diferenciada e decoração coerente com os objetivos
de venda.
Consultores, vitrinistas e os próprios comerciantes estimam que, em média,
uma vitrine deva ser trocada a cada 15 ou 20 dias. Se houver alguma promoção
especial ou período de grande apelo de vendas, como Natal e Dia das Mães,
por exemplo, este prazo deve ser ainda menor.
Em geral, a montagem e decoração de uma vitrine com área entre quatro
metros quadrados e 5,5 metros quadrados custa de R$ 1,4 mil a R$ 2,5 mil.
Mas este valor pode variar bastante, de acordo com a estratégia de cada
loja e o ramo de atuação do comerciante. Iluminações mais sofisticadas
podem ser encontradas em vitrines de joalherias, nas quais, além da luz
geral, algumas peças recebem mais destaque através de um foco especial.
Os movimentos de manequins ou de outras peças podem ser vistos com mais
facilidade em lojas voltadas ao público infantil.
- Uma boa vitrine não deve ter muita informação, com muitos itens expostos
à apreciação dos clientes. Deve ser objetiva e a arrumação dos produtos,
coerente com o que se pretende vender. O lojista deve optar por, no máximo,
quatro cores e a iluminação deve priorizar o branco, que é muito limpo,
e o amarelo, que apresenta bem cada peça - aconselha o vitrinista e programador
visual Geraldo Ourique, que presta serviços a empresas como Cantão e Redley.
Troca a cada 15 dias
Ourique recomenda, ainda, que, pelo menos no setor de moda, a troca da
vitrine ocorra a cada 15 dias. Ele calcula que a montagem de uma boa vitrine
demanda um investimento de até R$ 2 mil, no caso de uma área de cinco
metros quadrados. "O período de troca depende do setor. Pode ser maior
que estes 15 dias padrões ou bem menor, no caso de ocasiões especiais
para o comércio ou liquidações. A contratação de um bom profissional sempre
auxilia o lojista", comenta Ourique.
O vitrinista Hélio Cannes, atualmente prestando serviço às 12 lojas da
Modamania, enfatiza que a entrada da loja exerce a função de primeiro
vendedor. A harmonia e a decoração seriam, segundo Cannes, fundamentais
para o sucesso do empreendimento. "Realmente, muita informação confunde
a vista do cliente e pode afastá-lo. Por isto, tudo deve ser feito com
cuidado e renovação contínua, além de criatividade. Na Modamania, gastamos
cerca de R$ 1,5 mil para redecorar uma vitrine a cada 15 dias, em média",
diz Cannes.
- O layout, o tema e a iluminação são itens fundamentais para uma boa
vitrine. Mas o empresário não pode esquecer do bom gosto. Deve ter muito
cuidado ao abordar temas como sexualidade e crianças, por exemplo, que
podem ferir a sensibilidade dos clientes. Quem realmente descobriu o valor
de uma vitrine bem feita foi o americano Frank Woolworth, que no início
do século XX deixou de lado o atendimento massificado nos balcões e criou
este novo vendedor - lembra Antônio César Carvalho de Oliveira, da Acomp
Consultoria, que presta assessoria para clientes como Casas Sendas e a
loja de roupas Basic Fashion.
Proprietária de duas franquias da Tyrol, de moda infantil - no Rio Sul
e no BarraShopping -, a empresária Adriana Barajas investe cerca de R$
1 mil a cada 20 dias para mudar a vitrine de cada loja. Segundo ela, nos
dias em que as mudanças são feitas, são registradas vendas 20% superiores
às obtidas nos demais dias da semana.
- Em shopping centers, a vitrine é o que chama a atenção dos clientes,
desvia o olhar para dentro do estabelecimento e facilita a venda. A variedade
de itens é fundamental e sempre adotamos um tema especial para cada quinzena.
As últimas foram Inverno - férias na África e Spot, o cachorro astronauta.
Tanto as crianças como os adultos adoram a decoração - garante Adriana.
Leveza e bom gosto
As despesas com o marketing nas lojas de Adriana chegam a 15% do custo
mensal de operação e as vitrines demandam 50% deste valor, em média. A
ênfase constante na novidade e o cuidado para não encher as vitrines de
produtos são outras das sugestões de Adriana para uma boa vitrine. "Variedade
não quer dizer sobrecarregar o cliente de informações. Tudo deve ser feito
com leveza e bom gosto. Trata-se de um tipo de arte", completa a empresária.
André Pivetti, dono de lojas da Du Loren e da Deitando e Rolando, de cama,
mesa e banho, gasta cerca de R$ 1,6 mil para a montagem de uma vitrine.
Somando com dois salões de Cabeleireiro Degradée que comanda, o comerciante
tem oito lojas espalhadas por diversos shopping do Rio. - Com a vitrine,
alavancamos as vendas. É o glamour do comércio. Trocamos a vitrine semanalmente
e priorizamos, é claro, as novidades e a criatividade - explica Pivetti.
Já a diretora geral da Klara Jóias, Eliane Callado, assinala que a limpeza
de uma vitrine é um passo importante para o sucesso da loja. O visual
leve e a iluminação focalizada em determinadas peças também fazem a diferença,
especialmente numa joalheria. Eliane lembra que o comerciante não pode
esquecer de pôr etiquetas de preços nos produtos expostos.
- Além de ser lei, a colocação dos preços deixa o cliente mais à vontade.
A arrumação serve como um convite, que pode ser gentil e simpático ou
afastar o consumidor. Numa joalheria, a utilização de luzes especiais
sobre as peças é outro diferencial - diz Eliane.
Na Empório Baby, no Città America, a proprietária, Valéria Pita, troca
a decoração da vitrine a cada 15 dias. O custo com cada decoração depende
do que será exposto durante o período. "Trabalhamos muito com as cores
e, em nossas vitrines, as crianças podem mexer nos itens que oferecemos
aos seus pais. Para vender as roupas, atraímos a atenção das crianças."
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