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Sexta-feira,
30 de Novembro de 2001
Jornal
do Lojista
Prosperidade
mesmo com crise
Competência
é o diferencial
Débora
Oliveira
Terrorismo,
alta do dólar, crise argentina e racionamento de energia - fatores
que estão afetando a economia brasileira como um todo parecem sequer
respingar no faturamento de algumas lojas. Ao contrário. A rede
Ninho do Urubu, que comercializa produtos com a marca do Flamengo, abriu
um ponto de venda em setembro e inaugurará, no próximo dia
10, uma filial em Duque de Caxias com 80 metros quadrados em estilo hi-tech.
Já a Lenny, de moda praia, aumentou a produção para
atender à exportação, além de ter inaugurado
duas lojas este mês.
Consultores de varejo são unânimes: é possível
crescer em meio à crise quando o empreendimento está saudável
financeiramente. "Lojas que fecham neste momentos já andavam
mal. A tempestade econômica acaba deixando somente os mais competentes",
diz o professor do curso de Master in Business Administration (MBA) em
Varejo da Fundação Getúlio Vargas, Antonio Galvão
Vasconcelos.
Há nove anos no mercado, a Lenny é citada pelo consultor
como exemplo. Mesmo com o comércio exterior abalado pelo terrorismo,
a proprietária da rede, Lenny Niemeyer, vê as exportações
decolarem. "Deste mês até março de 2002 devemos
mandar 80 mil peças para Europa e Estados Unidos. A produção
deste ano será de 200 mil itens, 30% superior à do ano passado",
conta Lenny. O aquecimento também aparece nas vendas ao mercado
interno.
Voltada à classe A, a Lenny tem beneficiado-se da diminuição
das viagens internacionais. "Os clientes estão deixando de
gastar lá fora e comprando aqui. Além disso, o turismo interno
está crescendo. Não é à toa que acabamos de
abrir uma loja em Búzios", conta a proprietária da
rede. O segredo do sucesso? Produto diferenciado.
- Nossa modelagem não é micro, como a maioria das marcas
nacionais, nem muito grande como os biquinis produzidos no Brasil para
exportação. Encontramos um meio termo que agrada a quase
todas as faixas etárias. Temos ainda o complemento de toda linha
praia, da sandália ao chapéu - conta Lenny.
MARKETING.
Além de produto diferenciado, o diretor-executivo da Ninho do Urubu,
Marcus Liotta, tem outra explicação para o crescimento da
rede: marketing. "Cerca de 90% do nosso negócio consiste em
estimular a paixão do torcedor, ou seja, investir em estratégia
de marketing. Precisamos criar o desejo do consumo. Nosso público
consome por impulso."
Outros dois pontos fundamentais, segundo Liotta, são a falta de
concorrência e o investimento em serviços. "O Clube
de Regatas do Flamengo tentou investir em quiosques, sem muito sucesso.
No ano que vem, entraremos como sócios para alavancar o negócio",
afirma.
A rede Ninho do Urubu oferece, ainda, serviços complementares para
conquistar o consumidor. "Temos um jornal com as notícias
do clube, promovemos festas quando o Flamengo vence, fazemos inscrições
para a torcida organizada Falange Rubro-negra, enfim, vamos além
da simples venda de camisetas", explica o diretor-executivo da rede.
CONFORTO.
Pontos de venda confortáveis completam a estratégia da Ninho
do Urubu. A recém-inaugurada loja no Centro do Rio tem 100 metros
quadrados, cyber café, televisores e painéis contando a
história do Flamengo. A que será inaugurada em Duque de
Caxias terá tudo isso mais a Calçada da Fama Rubro-negra,
com marcas de pés e mãos de jogadores que fizeram a história
do time. Liotta acrescenta que mais outra duas filiais serão abertas
no início do ano que vem, no Maranhão e na Bahia.
A palavra de ordem, segundo Antônio César Carvalho de Oliveira,
sócio-diretor da Acomp Consultoria e Treinamento - que tem a Sendas
entre seus clientes -, é planejamento. "Um bom estudo de viabilidade,
tanto do ponto de venda, quanto dos produtos e aspirações
do consumidor, formam o caminho para ter um negócio saudável."
Trabalhar com mercadorias de qualidade, treinar funcionários, sem
esquecer de acompanhar as expectativas do consumidor e o movimento do
concorrente, são outros conselhos do consultor. "Se nada disso
está sendo feito, é preciso começar um movimento
de reestruturação, articulando instrumentos de controle
do negócio para conseguir voar mesmo em dias de tempestade",
completa o sócio-diretor da Acomp.
DEZ
DICAS CONTRA A CRISE
1.
Planejamento estratégico de estoque, finanças, expansão,
etc.
2. Pesquisas de mercado identificando, constantemente, as mudanças
de perfil do consumidor.
3. Vendedores treinados.
4. Investimento em tecnologia.
5. Atenção à concorrência.
6. Serviços diferenciados.
7. Investimentos em marketing.
8. Capital de giro.
9. Reinvestimento do lucro no empreendimento.
10. Cuidados com a aparência da loja.
Fonte: Acomp Consultoria e Treinamento, www.acomp.com.br
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